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Castro Verde  

 

População: 4 700 habitantes;

Actividades económicas: Agricultura, pecuária, indústria mineira, comércio e serviços;

Orago: Nossa Senhora da Conceição;

Feiras, Festas e Romarias: Feira do pau-roxo– 20 de Janeiro; Feira de Maios 5 de Maio; Feira de Castrou 3º domingo de Outubro; Feriado Municipal 29 de Junho; Mastros populares Junho; Procissão da Nossa senhora da Conceição 8 de Dezembro; Mais informação;

Património Cultural e edificado: Igreja Matriz (Basílica Real) ; Igreja dos Remédios; ermidas de S.Miguel, de S. Sebastião e S. Pedro das Cabeças; Pelourinho; Mais Monumentos;

Outros locais de interesse turístico: Piscinas; Estádio Municipal; Fórum Municipal; Cine– teatro Municipal; Reserva de caça turística e associativa; avifauna estepária do concelho (Turismo ambiental);Tabernas tradicionais;

Gastronomia: Cabeça de borrego assada; ensopado de borrego, açorda; migas; bolos de massa folhada e queijadas de requeijão;

Artesanato: Miniaturas em madeira; Mantas de lã; tapetes de arraiolos; cadeiras de buínho; carroças; Violas campaniças;

Colectividades: Bombeiros voluntários; Futebol Clube Castrense; Associação humanitária dos dadores de sangue; Cortiçol- Cooperativa de informação e cultura; Sociedade Recreativa e Filarmónica 1º de Janeiro; Sociedade columbófila "Asas Verdes"; Ass. de Cante Alentejano "Os Ganhões"; Associação de jovens de Castro Verde "Voz da Tribo";

Equipamentos colectivos: Equipamentos

Outros dados

Castro Verde é sede de um concelho constituído por cinco freguesias e um dos mais importantes centros económicos de todo o distrito. O seu povoamento remonta à época da pré-histórica. Assente numa bonita campina, a vila ergue-se perto de um alto onde existem as ruínas de um castro lusitano, actualmente classificado como monumento nacional. Aí terá vivido uma população pobre, dentro de um acampamento muito primitivo e defensivo. Achegada dos romanos, dos quais existem também alguns vestígios, terminou muito provavelmente com esse reduto. Deste castro, de resto, nasceu o nome da freguesia e do próprio concelho. Não custa acreditar, pois, que nesse reduto castrejo a "verdura dominante da paisagem" fosse uma característica tão evidente que ficou pelo tempo fora.

Aqui terá decorrido, no lugar de S. Pedro das Cabeças, a batalha de Ourique, celebrizada pela importância que teve na fundação da nossa Nacionalidade. Relembre-se que "Campos de Ourique" era a denominação de uma vasta região, que incluía a zona de Castro Verde, e terá sido por isso que a batalha passou à história com esse nome. Além disso, foram encontradas numerosas ossadas e muitas caveiras separadas dos respectivos esqueletos, o que poderia ser explicado pela dureza da batalha.

Castro Verde recebeu foral em 1510 assinado por D. Manuel I. Um documento que demonstra a importância adquirida pela vila, já que até aí parecia estar na dependência administrativa de Ourique.

Do património edificado da vila, destaca-se a Igreja Matriz, dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Templo seiscentista, muito vasto e de uma só nave, é revestido interiormente de azulejos setecentistas policromos, com um friso de azulejos historiados, que representam a batalha de Ourique. Datados de 1713.

Quanto à Igreja das Chagas do Salvador, foi reconstruída por Filipe II, sendo, portanto, anterior ao século XVI. Está classificada como monumento nacional. De uma só nave, é interiormente forrado de pequenos quadrados de azulejo azul, com flores, aves, etc. O templo primitivo teria sido fundado por D. Afonso Henriques, segundo a tradição popular, como comemoração por tão gloriosa vitória em Ourique.

O local teria sido exactamente o da casa do ermitão que lhe anunciou a aparição de Cristo. Aliás, as paredes estão decoradas por alguns quadros alusivos àquela batalha.

Actualmente, Castro Verde é uma das mais importantes vilas do distrito de Beja sobretudo porque, estando no centro de uma vasta região, a ela ocorrem gentes de todo o sul. A feira de Castro Verde, por exemplo, é desde há muitos anos a maior de todo o dristrito. funciona como centro de negócios dos vizinhos concelhos de Aljustrel, Mértola, Ourique e Almodôvar, que ali apresentam os seus produtos de forma abundante. É no terceiro domingo de Outubro, e a sua fundação parece remontar ao século XVI. dizia um periódico local que "aqui se compram feijões, nozes, peros, maçãs, castanhas, figos secos, amêndoas e mantas de Castro Verde e toda uma enorme variedade e quantidade de gado que a tornaram tão famosa".

Com mais de quatro mil habitantes, Castro verde apresenta, grande pujança económica. As principais actividades da sua população, para além do sector terciário, são a agricultura, a pecuária e a indústria mineira.

Uma terra que merece, enfim, uma visita atenta. Pelo passado que teve e, sobretudo, pelo presente que tem. Como José Saramago o compreendeu bem!: Castro Verde merece que tem. Está num alto e não lhe faltam verduras para aliviar os olhos das sequidões das charnecas. (...)

  

Igreja Matriz de Castro Verde (Basílica Real)

 

 

O aspecto actual da igreja data do tempo de D. João V (1706- 1750), edificada sobre um templo mais antigo, que já havia sofrido alterações durante o reinado de D. Sebastião (1568- 1578), é constituída por uma nave central, sacristias laterais e duas torres sineiras.

As paredes interiores estão revestidas com amplos painéis de azulejos setecentistas, que representam a batalha de Ourique. O tecto é feito de madeira policromada, e os altares são revestidos em talha dourada barroca e joanina.

 

 

-A Igreja recebeu os primeiros sinos em 1731 (os sinos actualmente nas torres datam de 1780; 1795; 1796 e 1887)

-O rei D. João, não se esqueceu de fornecer para os quatro altares laterais da Igreja, muitas relíquias, feitas com a prata e o ouro vindos do Brasil.

-Em 1784 foi pago com o dinheiro dos cofres da Matriz, o relógio que Deodactus

 Lombinom, de Faro, colocou na torre lateral direita. 

Igreja de Nossa Senhora dos Remédios

 

 Também conhecida por Igreja das Chagas do Salvador, que, segundo consta das obras da época terá sido fundada por el rei D. Afonso Henriques.

No século XVII, o templo encontrava-se bastante degradado, então, Filipe II toma medidas para que seja restaurado, e para angariar fundos, dá inicio a uma feira em 1620, que iria suportar os seus custos até 1834, a tão conhecida Feira de Castro, que ainda hoje é a maior do Baixo Alentejo.

Após muitas modificações no edifício, continuam a merecer destaque os óleos de Diogo Magina (1763-67), representando o "Milagre de Ourique" com a aparição de Jesus Cristo ao Rei D. Afonso Henriques, no local de S. Pedro das Cabeças (situado a 5 Km da vila de Castro Verde).

O templo é constituído por uma só nave, é interiormente forrado de pequenos azulejos em azul, com flores, aves, moinhos, etc., de fabrico Holandês.

 

Interior da igreja

Painel de Diogo Magina representando a aparição de Jesus Cristo a D. Afonso Henriques

Ermida de S. Miguel

A ermida de S. Miguel foi construída entre 1715 e 1728, por ordem de D. João V, sobre as ruínas de uma igreja mais antiga.

A sua edificação foi ordenada por D. Maria I, em 1760/1779, todo o seu interior é revestido de azulejos vindos de Lisboa.

 Ermida de S. Sebastião

 

 Esta Ermida situa-se no sítio onde decorre a feira de S. Sebastião (20 de Janeiro).

  • Utilização Inicial: Cultual: ermida

  • Época de Construção: Séc. XVII/ XVIII

  • Cronologia: Séc. XVII – construção; séc. XVIII, segunda metade – campanário.

  • Tipologia: Arquitectura religiosa, maneirista, barroca, popular. A tipologia da planta corresponde a uma constante da arquitectura quinhentista e seiscentista regional, com uma só nave e capela-mor, com referentes um pouco por todo o Baixo Alentejo, sendo de destacar, a título exemplificativo, as afinidades com São Sebastião de Vila Ruiva (Cuba). Do período barroco data o campanário e as pinturas murais.

  • Características Particulares: A ermida singulariza-se pelo facto de continuar, tardiamente, a tradição tipológica das capelas de peregrinação do período manuelino. São dignos de referência o retábulo, muito arruinado, e as pinturas da capela-mor.

  • Intervenção Realizada: Paróquia: 1980, década de – diversas obras de conservação.

 Ermida de S. Pedro das Cabeças

S. Pedro das cabeças fica ali, num ermo, onde quase se sente o céu. Sendo este o local provável, onde as forças de D. Afonso Henriques fizeram frente a cinco reis Mouros.

Neste local histórico situa-se uma ermida e um monumento alusivo à batalha de Ourique. A ermida de arquitectura popular destaca-se no topo do cerro, onde foi edificada, segundo reza a história, por ordem de D. Sebastião, em homenagem ao primeiro rei de Portugal e à sua vitória sobre os Mouros.

O local de São Pedro das cabeças possui uma paisagem de uma pura beleza selvagem.

  • Utilização Inicial: Cultual: santuário de peregrinação

  • Época de Construção: Séc. XVI

  • Cronologia: Séc. XVI, segunda metade – construção.

  • Tipologia: Arquitectura religiosa, maneirista, popular. Santuário rural, de peregrinação, com marcado carácter vernacular, documentando a persistência da tipologia quinhentista de pequenas igrejas de uma só nave.

Pelourinho (obelisco ou Padrão)

Este monumento está colocado um pouco a Norte da Igreja Matriz, em frente ao edifício da Câmara.

Em 9 de Maio de 1792, foi embutida na face principal do monumento uma medalha de jaspe com o busto de D. Maria I; mas um terrível furacão derrubou-o na noite de 7 ou 8 de Dezembro de 1803, quebrando-o pela parte mais fina da pirâmide.

Foi posteriormente restaurado, mais recentemente foi restaurado completamente em 1960.

Este monumento foi edificado em honra"... da gloriosa aparição de Cristo Nosso Senhor ao nosso primeiro monarca D. Afonso Henriques", foi também colocado neste monumento o busto de D. Maria I.

 

Freguesias de Castro Verde

Com uma área de 536 quilómetros quadrados, o concelho de Castro Verde é constituído por cinco freguesias: Casével, Castro Verde, Entradas, São Marcos da Atabueira e Santa Bárbara de Padrões. Aqui vivem actualmente mais de oito mil pessoas. O seu território é delimitado pelos concelhos de Aljustrel, Beja, Mértola, Almodôvar e Ourique.

A História do Concelho é muito antiga, um facto que até o seu próprio nome confirma. Terá sido em redor de um velho Castro lusitano, verde decerto, que se fixaram as primeiras populações no local. Pobres e difícil existência, formavam um povo com características muito próprias, que acabou por ser aculturado, aculturando aqueles que se seguiram, os romanos.

O facto mais importante da história deste concelho está relacionado com a batalha de Ourique, em que a lenda popular descreve a gloriosa vitória de D. Afonso Henriques contra cinco reis Mouros e a aparição de Jesus Cristo. Que segundo alguns autores o local exacto dessa batalha será o lugar de S. Pedro das Cabeças.

Quanto a património edificado, os monumentos de maior destaque encontra-se na sede de concelho, sendo a Igreja Matriz e a Igreja das Chagas apenas dois exemplos. No resto do concelho, um destaque para o conjunto de ermidas que podemos encontrar.

Em termos económicos, Castro Verde é uma região muito dinâmica, que se dedica sobretudo ao sector primário, mas também a uma multiplicidade de outras actividades. A feira de Outubro, na sede do concelho, é um centro de negócios fundamental, que se afirma como a última grande feira do Sul.

 

 

 

Total

Sexo

Idade

 

 

Masculino

Feminino

0-19

20-39

40-59

>59

População

Região

543442

265836

277606

133087

135936

131826

142593

Concelho

7762

3865

3897

1891

1997

1756

2118

%

Região

100%

49%

51%

24%

25%

24%

26%

Concelho

1%

50%

50%

24%

26%

23%

27%

 

 

Casével

 

População: cerca de 420 habitantes;

Actividades económicas: Agricultura, pecuária, comércio, moagens eléctricas e serralharia;

Orago: S. João Baptista

Festas e Romarias: Festas populares (Agosto) e S. João Baptista (24 de Junho);

Património Cultural e Edificado: Igreja Matriz, torre do relógio, ruínas da capela da Misericórdia e cabeça de São Fabião ( Cabeça );

Outros locais de interesse turístico: Zona de caça associativa e praça de touros;

Artesanato: Miniaturas em madeira

Colectividades: Fundação de Joaquim António Franco, Clube de caçadores, clube atlético de Casével e Grupo Coral Vozes de Casével;

Outros dados

A cerca de doze quilómetros da sede do concelho, a freguesia de Casével encontra-se "no alto duma chapada", muito perto da estrada que segue para Ourique.

Do património artístico desta freguesia, o maior destaque vai para a chamada cabeça de S. Fabião. Uma peça singular da ourivesaria francesa, consta que terá sido trazida do estrangeiro há mais de oitocentos anos. Em tamanho real, inteiramente feita de prata, a cabeça contém no seu interior um crânio humano, o que a tradição diz ser o de S. Fabião, papa e mártir do Cristianismo. Segundo a tradição oral, ainda hoje passível de ser escutada pela boca dos mais velhos da freguesia, teria sido uma devota matrona grega, D. Vataça Lascaria, princesa que viera para Portugal no séc. XIII, a transportar a cabeça daquele santo, bem como a de S. Romão.

Com cerca de quatrocentos e vinte habitantes apenas, S. João baptista de Casével é a menos povoada freguesia do concelho de Castro Verde. As principais actividades económicas da sua população estão ligadas ao sector primário, como a agricultura e a pecuária. No entanto, também o pequeno comércio e a pequena indústria - moagem, montagens eléctricas e serralharia - têm o seu papel na economia da freguesia.

 

Igreja Matriz de Casével

A freguesia de Casével possui uma igreja Matriz, cujo orago é S. João Baptista, no ano de 1533, a Igreja estava a ser reparada, foi novamente reparada em 1940/50, devido ao seu estado de abandono e degradação a que chegou, consta que foi totalmente espoliada, pois possuia um altar de talha dourada e vários santos dos quais nada se sabe, foram miraculosamente salvas várias alfaias litúrgicas em prata dourada, entre as quais a Cabeça de São Fabião, duas custódias, uma das quais do séc XVI.

  • Enquadramento : Urbano, destacado, isolado, num espaço ajardinado.
  • Utilização Inicial : Cultual: igreja
  • Época de Construção : Séc. XIV/ XVI/ XVIII/ XX
  • Cronologia : Séc.XIV - igreja primitiva; séc. XVI - reedificação; séc. XVIII - remodelação da frontaria; séc. XX, meados - remodelação do interior; 1954 - 1955 - construção da torre; 1969, 2 de Fevereiro - danos causados pelo sismo.
  • Tipologia : Arquitectura religiosa, maneirista, barroca, popular. Igreja maneirista de nave única, capelas laterais e cobertura em telhado de duas águas. Fachada principal com elementos compositivos do período barroco.
  • Caracteristicas Particulares : Edifício de marcado carácter vernacular.

 Cabeça de S. Fabião

A Cabeça Relicário de Casével

A primeira referência documental há cabeça relicário de S. Fabião, encontra-se num processo de visitação da comenda de Casével, do ano de 1565. Nas diversas visitações anteriores a 1565, um tanto estranhamente, não é feita qualquer alusão à cabeça relicário de S. Fabião. Numa visita empreendida por uma equipa do campo arqueológico de Mértola, em 1986, à pequena aldeia de Casével, com o objectivo de reunir e inventariar a documentação histórica depositada na junta de freguesia, ocorreu uma insólita e extraordinária descoberta. Entre várias alfaias litúrgicas em prata e em prata dourada, surgiu uma cabeça de prata de tamanho natural, contendo no seu interior, como depois se constatou, um crânio humano.

 

A cabeça, em tamanho natural, é um trabalho em repuxado sobre chapa de prata de elevado teor argentífero. Através de um largo orifício zenital, onde se encontra rebitada uma cruz pátea é perceptível a calote craniana, à qual foi possível aceder, separando as duas partes do invólucro metálico, juntas entre si por pequenos parafusos de cabeça lavrada (trabalhada). O pescoço plinto é interiormente preenchido por um toro de azinho que serve de contrapeso e de suporte a uma pequena chapa de cobre com banho de prata, onde estão os restos ósseos, constituídos por uma calote craniana e quatro esquírolas. (O estudo prévio osteológico foi efectuado em 1986, por um membro do campo arqueológico de Mértola. Citamos o telatório: " O material analisado é constituído por: 1 calote craniana; 1 osso lacrimal; parte inferior do temporal esquerdo (...) O material ósseo estudado pertence a um indivíduo do sexo masculino, com a idade compreendida entre os 30 e os 45 anos").

Envolvidos num pano de seda e apertados por um fio de prata, estes fragmentos de osso guardavam-se no interior da calote, que por sua vez assentava na chapa de suporte por uma fita cor-de-rosa. A parte posterior da cabeça é constituída por uma só chapa alongada a martelo e fixada ao plinto por solda e rebites. A face tem várias componentes, soldadas entre si e todas em repuxado, com excepção para a boca e o nariz que foram fundidos numa só peça.

Para além da abertura praticada no alto da cabeça e do seu adorno cruciforme, notam-se comunicando com o interior, seis pequenas perfurações entre os lábios, duas a servir de narinas e uma em cada orelha.

Apesar de há muito ter perdido a sua função, a cabeça– relicário permanecia viva na memória colectiva local, sendo identificada com S. Fabião, papa e mártir. Na opinião de alguns moradores mais idosos, o seu poder e virtudes procediam da facilidade de sarar as doenças do gado.

Consta que a cabeça teria sido trazida para o Alentejo pela princesa Vataça, neta de um imperador Grego, que por ali passou.

Crê-se que este relicário foi fabricado na primeira metade do séc.XIII.

Se é inaceitável para a época a que foi atribuída, o seu fabrico ter quaisquer intenções de retrato naturalista, foram plenamente atingidos os objectivos do artífice, se este pretendeu com esta cabeça sugerir forças ocultas. Se o seu criador lhe abriu os ouvidos para que pudesse escutar os lamentos, as narinas para sentir as doenças e a boca para fazer sair o bafo generoso, deixou intactas as pupilas dos olhos, leva a crer que os encomendadores iniciais, não pretendiam mandar encastoar e adorar uma simples relíquia, conhecendo perfeitamente os poderes a realçar e os perigos a evitar. De qualquer homem morto e muito mais de um Saudador era preciso evitar o olhar e nomeadamente a insondável pupila, sempre perigosa ligação com os mundos do Além.

Hoje, apesar de despojada de quase todas estas fabulosas roupagens que alimentaram os medos e os sonhos de tantas gerações, a cabeça– relicário de Casével continua a manter aquele olhar condescendente e inofensivo, aquele infindável sorriso de quem sabe que o seu mistério nunca será desvendado.

 

 Entradas

 

População: cerca de 1100 habitantes;

Actividades económicas: Agricultura, pecuária, produção de cereais, carpintaria, comércio e construção civil;

Orago: S. Tiago;

Festas e Romarias: Noites de S. Tiago (Junho) e Nossa Senhora da Esperança (finais de Agosto) Festas anuais de Entradas Último fim-de-semana de Julho (Festa Popular);

Património Cultural e edificado: Igrejas Matriz, da Nossa Senhora da Esperança e da Misericórdia, Ruínas do monte do Castelo;

Outros locais de interesse turístico: Ribeira de Cobres (pesca, passeio, apreciar a fauna e a flora);

Colectividades: Sociedade Recreativa e Desportiva Entradense;

Outros dados

A doze quilómetros de Castro Verde, a freguesia de Entradas é citada pela primeira vez na documentação oficial em 1220. Nas Inquirições reais, realizadas nesse ano por D. Afonso II, dá-se o nome de Entradas às pensões, de resto muito limitadas, que se pagavam a alguns casais. Terá vindo daí muito provavelmente o nome da freguesia.

A tradição popular, no entanto, é bem diferente: "Segundo a lenda e dentro daquela versão que considera que a batalha de Ourique teve lugar em S. Pedro das Cabeças, diz-se que D. Afonso Henriques passou por este sítio à frente do seu exército, para dar batalha aos reis Mouros.

Ao chegar aqui, o que se verificou ao fim da tarde, as tropas acamparam para descansar. Um pouco depois, o rei perguntou às pessoas que as acolheram, como se chamava este lugar. Mas, nesse tempo, isto não era bem uma povoação, mas sim montes dispersos por várias herdades que tinham o nome dos próprios montes. O rei teria indagado junto das pessoas: -Então Ourique fica muito longe? E onde São os Campos de Ourique?! Ao que foi respondido pelos habitantes do lugar: -A partir de aqui são já os Campos de Ourique! Ao que o rei imediatamente respondeu: - Então olhem, isto passa a chamar-se as entradas dos Campos de Ourique".

Teve foral de D. Manuel I em 1 de Agosto de 1512. Anteriormente, antes da criação administrativa, pertencera ao mestrado de Santiago, de que era comenda.

A história desta freguesia remonta a épocas pré-históricas. Será dessa época o célebre Castelo de Montel, cujas ruínas ainda hoje se podem vislumbrar na freguesia. Ali terá existido um reduto castrejo, aproveitado pelos povos que se seguiram aos lusitanos.

A personalidade mais importante desta freguesia foi exactamente Frei Manuel de Entradas, um missionário que aqui nasceu em 1633. Estudou em Évora, foi ordenado sacerdote e veio a ocupar os mais ilustres postos de hierarquia eclesiástica. Partiu para a Índia em 1681, como missionário. Levou o Cristianismo a Goa, Salsete, Beçaim, Damão e Cochim, e depois ao Brasil. Morreu em Ponta Delgada a 8 de Dezembro de 1695.

Com pouco mais de 1000 habitantes, a freguesia de S. Tiago de Entradas tem como principal actividade o sector primário, como a agricultura, a pecuária e a produção de cereais. A carpintaria, a construção civil e o comércio desempenham também papel de destaque na economia local.

 

Igreja Matriz de Entradas

 

 

A fundação deste templo remonta a 1745, foi dedicada a Santiago Maior e a arquitectura pertence ao século XVIII.

Possui um só transepto, uma só nave, três altares, e o seu altar-mor de mármore branco e preto foi avaliado como o mais valioso de toda a Diocese de Beja.

Capela da Nossa Senhora da Esperança de Entradas

 

Capela construída no ano de 1575, que ostenta preciosos frescos no seu interior.

O altar é constituído por talha dourada, com colunas salomónicas ostentando algumas figuras de pelicanos. Por cima do retábulo, três figuras representando o Mistério da Santíssima Trindade.

De nave abobadada e capela-mor copulada com interessantes pinturas de tradição maneirista, com portão de volutas.

  • Descrição: Fachada principal de empena angular rasgada por portal moldurado de verga recta adintelado e encimado por frontão de volutas, com pedra de armas no tímpano, encimado por esfera armilar; óculo no eixo do portal; fachada posterior marcada por contrafortes nos ângulos, com 3 esbarros escalonados encimados por pináculos cónicos, rematada por murete envolvente. INTERIOR: nave coberta por abóbada de berço redondo sobre cornija; arco triunfal redondo, revestido por talha, sobre pilastras; capela-mor coberta por cúpula sobre trompas e cupulim, decorada por pinturas murais; retábulo-mor de talha dourada com colunas torsas laterais, rasgado por 3 nichos iguais. Pinturas murais nas paredes da capela-mor e em redor do arco triunfal, representando Santo Amaro, São Sebastião, São Lourenço, Santa Luzia e São Brás entre elementos decorativos maneiristas. Púlpito em madeira encostado ao alçado lateral da nave.
  • Utilização Inicial: Cultual
  • Época de Construção: Séc. XVI
  • Cronologia: 1575 – construção da capela patrocinada por D. Bartolomeu Leitão, bispo de Cabo Verde, natural de Entradas, no ano em que é eleito; 1969, 2 Fev. - danos causados pelo sismo.

Tipologia: Arquitectura religiosa, maneirista, popular. Pequena capela com nave abobadada e capela-mor cupulada; arquitectura popular com elementos clássicos (portal com frontão de volutas); contrafortes de esbarros com diferentes volumes, pináculos cónicos em remate.

 

Igreja da misericórdia de entradas

 

 

Após algumas reparações restam-lhe ainda alguns azulejos Hispano-árabes, reveladores do valor e beleza antiga deste templo, que cobrem os degraus da capela-mor e frontal do altar-mor.

Estes azulejos setecentistas precedem das oficinas de tradição árabe da Triana, Sevilha, que foram fornecedores exclusivos de Portugal.

De referir, ainda nesta igreja, são as imagens da Senhora da Piedade, de Santo Isidoro, da Santa Apolónia e o arquibanco da Irmandade.

 

São Marcos da Atabueira

 

População: Cerca de 800 habitantes;

Actividades económicas: Agricultura, pecuária, olivicultura e tapeçaria;

Orago: S. Marcos;

Feiras Festas e Romarias: Anuais, S. Marcos (25 de Abril);

Património cultural e edificado: Igreja Matriz e Ermida da Nossa Senhora de Aracelis;

Outros locais de Interesse turístico: Miradouro de Nossa senhora de Aracelis, zonas de caça turística e associativa, barragem de pão e água;

Artesanato: Miniaturas em madeira e tapeçarias;

Colectividades: Clube de Futebol de S. Marcos;

Outros dados

Situada na margem direita de um pequeno ribeiro, afluente da ribeira de cobres, no extremo Este do concelho de Castro Verde e o seu limite com o concelho de Mértola, dista da sua sede de concelho aproximadamente cerca de 15 km. Engloba os seguintes lugares: Alcaria do Coelho, Figueirinha, Monte do Guerreiro e Monte do Salto, S. Marcos da Ataboeira e Sorraias.

O nome Taboeira significa lugar pantanoso que produz tábua, junco e outras plantas paludosas.

O povoamento da freguesia é bastante antigo, já em 1758, por ordem do marquês de Pombal, os párocos de todas as freguesias, não só de Castro Verde, mas de todo o País, respondendo a um inquérito sobre os estragos causados pelo terramoto de 1755, concluíram relativamente a Castro Verde, na voz do então prior actual do concelho, "... A ruína que padeceu (a vila) só foi nos tectos da igreja Matriz e estes se rectificaram já, e não houve perigo algum considerável...

Igreja de S. Marcos

 

A igreja Matriz de São Marcos da Ataboeira, está situada bem no meio da aldeia, é antecedida por um adro e ladeada por um jardim.

É composta pela nave e capela-mor de planta quadrangular, onde a sua cúpula é revestida a telha (capela-mor). Fachada principal orientada a O., no portal, existe pedra de armas da Ordem de Santiago. A sua torre sineira está dirigida no ângulo NO., de planta em L, com dois pisos separados por leve molduração de cobertura em abóbada com pirâmides nos ângulos enquadrando frontão com óculo (o do alçado O. tem encastrado o relógio). Alçado S. onde se abre a porta lateral e a fresta de iluminação da capela-mor; os cunhais e os dois contrafortes centrais são encimados por pináculos piramidais. Alçado E. cego, com o volume da sacristia recuado em relação ao da capela-mor, que possui pináculos piramidais nos ângulos. Alçado N. pequeno vão de iluminação da sacristia, porta da sacristia e porta do anexo, a que se segue, ligeiramente recuado, o volume da torre, com porta própria. Interior de uma só nave com cobertura de forro de madeira. Do lado do Evangelho, junto ao portal, está o baptistério, com acesso por arco de volta perfeita assente em pilastras, encerrado por grade de madeira; ao meio da nave, púlpito com grade de madeira. Do lado da Epístola, defronte do púlpito, abre-se a porta lateral. Arco triunfal de volta perfeita assente em pilastras; teia de madeira; capela-mor mais estreita que a nave, coberta por cúpula; altar-mor de alvenaria com retábulo de talha policromada e dourada. Do lado do Evangelho rasga-se fresta de iluminação.

  • Utilização Inicial: Cultual
  • Época de Construção: Séc. XVI/ XVIII
  • Cronologia: Séc. XVI, segunda metade – construção; séc. XVIII, meados – decoração em argamassa da frontaria e campanário; séc. XIX, finais – grade do púlpito, grade do baptistério e teia.
  • Tipologia: Arquitectura religiosa, maneirista, barroca. A planimetria, com nave única e capelas laterais, assim as soluções construtivas, são características da tradição maneirista. Fachada principal com elementos decorativos populares do período barroco.
  • Características Particulares: Pequena igreja paroquial de uma comunidade rural, de marcado carácter vernacular, segue a tipologia habitual da Ordem de Santiago.
  • Intervenção Realizada: Paróquia / Junta de Freguesia: 1995 / 1996 – obras de conservação.

Ermida da Nossa Senhora de Aracelis

  

A Ermida da Nossa Senhora de Aracelis é uma das mais deslumbrantes de todo o concelho, constitui um local de peregrinação ancestral, onde a paisagem natural se reveste de um carácter único.

Conta-se que , Aracelis que significa "Altar dos céus", consegue ver as suas seis irmãs (outras seis ermidas espalhadas por um vasto círculo) a dos Remédios em Alcaria, a da Cola em Ourique, a da Guadalupe em Serpa, a do Castelo em Aljustrel, a da Saúde em Martim Longo e a da Piedade em Loulé.

Santa Bárbara de Padrões

 

População: 1600 habitantes

Actividades económicas: Agricultura, indústria extractiva, pecuária, serralharia, transformação de carnes (enchidos tradicionais) e pequeno comércio;

Orago: Santa Bárbara

Feiras Festas e Romarias: Feira de 4 de Dezembro, Romaria e festa de 4 de Dezembro e festas populares (no Verão);

Património cultural e edificado: Igreja Matriz e diversas estações arqueológicas;

Artesanato: Mantas de lã de ovelha, trabalhos em buínho;

Colectividades: Centros sociais, culturais e Desportivos das localidades de: Santa bárbara de Padrões, Lombador, Beringelinho, A-do-Corvo, Viseus e Grupo Desportivo e Cultural da Sete.

Outros dados

A freguesia de Santa bárbara de Padrões, situada aproximadamente a 6 km a sudeste da margem da ribeira de cobres e a cerca de 8 km da Estrada Nacional Chaves– Faro, entre Castro Verde e Almodôvar, dista da sua sede de concelho cerca de 14 km.

Compreende uma área de 66,3 km2, engloba os seguintes lugares: Beringelinho, A-do-Corvo, A-do-Neves, Lombador, Montinhos, Rolão, Santa Bárbara de Padrões, Sete e Viseus.

A origem etimológica do nome da freguesia derivará, da existência de marcos miliários pertencentes à via militar romana que, vinda de Mértola passava por Santa Bárbara de Padrões e ainda por Beja, seguindo até Mérida. Mas se a freguesia já existia nesse tempo- D. Frei Manuel do Cenáculo tivera a oportunidade de o confirmar- o seu povoamento recua a uma época ainda mais remota.

Em 1998, um grupo de arqueólogos, levando a cabo um conjunto de investigações na freguesia, concluíra que Santa Bárbara de Padrões era já ponto de fixação humana, no período megalítico, a avaliar pela descoberta feita no adro da Igreja Matriz de uma pedra, que parecendo à primeira vista uma banco, se tratava de uma verdadeiro menir.

A Igreja de Santa Bárbara fica situada num cerro, onde foram localizadas, nomeadamente numa cova situada entre o declive natural da rocha e o muro tosco, junto da ampliação sul do cemitério da aldeia, centenas de lucernas romanas, datadas por volta do séc. I da nossa era. Em face da investigação entretanto efectuada, é possível desde já concluir que "Santa Bárbara de Padrões guardava, debaixo da terra, sem que ninguém soubesse, uma das maiores colecções de lucernas romanas de todo o mundo" e que, muito embora não se possa ainda "assegurar que, quando Cristo esteve na terra, Santa Bárbara Já fosse cidade, já pertencia ao Império Romano quando entrou na era de Cristo.

Lucerna Romana

Sabe-se ainda, que, a construção da igreja paroquial data do século XIII, havendo, todavia quem suspeite "que está no lugar de um templo dos Mouros, ou seja, uma mesquita muçulmana".

A indústria extractiva assume particular relevo na freguesia onde estão em exploração as maiores minas de cobre da Europa nas imediações dos lugares de A-do-Neves e A-do-Corvo.

Para além do cobre explora-se actualmente nesta mina estanho e espera-se a médio prazo também o zinco tenha aproveitamento.

 Igreja Matriz de Santa Bárbara de Padrões

 

A sua construção data do século XIII. Situa-se num monte existindo algumas suspeitas de que esta igreja ocupa o lugar de um antigo templo Muçulmano.

  • Acesso: Lg. da Igreja.
  • Enquadramento: Peri-urbano, isolado, destacado, numa pequena elevação; separado por adro murado a que se acede por dois degraus, desnivelado do exterior e lajeado junto à igreja, com acesso por três degraus e cruzeiro em pedra, com a forma de cruz latina. Localizada num arqueosítio com ocupação documentada desde a época romana.
  • Utilização Inicial: Cultual
  • Época de Construção: Séc. XVI/ XVII/ XVIII/ XIX
  • Cronologia: Séc. XVI, primeira metade – construção; séc. XVII, inícios – feitura dos retábulos laterais, pinturas parietais da ousia; séc. XVIII – frontal da capela de São Miguel e registo das Almas do Purgatório; séc. XIX – retábulo da capela-mor e decoração de estuques, teia, grade e balaustrada; séc. XX, inícios – guarda-vento; 1969, 2 de Fevereiro – danos causados pelo sismo.
  • Tipologia: Arquitectura religiosa, maneirista. A planimetria, a composição, os contrafortes rematados por pináculos e os arcos diafragma são elementos característicos da popularização das formas maneiristas no Baixo Alentejo.
  • Características Particulares: Sede de paróquia rural, possui um vincado carácter popular, em que sobressaiem as notas mais apuradas, já de feição erudita, das pinturas murais (brutescos) e da azulejaria.

 

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